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Delegada que investigou triplo homicídio da 113 Sul é presa

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Da Redação
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Investigadora de um dos crimes mais emblemáticos do Distrito Federal, o triplo assassinato na 113 Sul, a delegada Martha Vargas foi presa neste sábado (20). A detenção se dá em decorrência de um processo que se arrasta há anos. A servidora pública foi condenada por forjar provas que incriminavam suspeitos de cometer o delito ocorrido em 2009. As vítimas foram o casal Villela e a empregada deles.

Após recursos na Justiça, a pena de Martha foi fixada em 16 anos 12 dias de reclusão, além do pagamento de 45 dias multa. À mesma ação responde o agente de polícia civil José Augusto Alves, condenado a 2 anos e 9 meses de reclusão, mas em regime aberto.

No dia 28 de agosto de 2009, um triplo homicídio ocorreu no bloco C da 113 Sul. O advogado José Guilherme Vilella, 73 anos, (ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral), sua esposa, a também advogada Maria Vilella, e a funcionária da casa, Francisca Nascimento Silva, foram mortos a facadas dentro de seu apartamento. Os corpos já estavam em avançado estado de decomposição quando foram encontrados pela neta do casal, três dias depois.

A investigação tomou rumos pouco convencionais. A delegada responsável pelo caso, Martha Vargas, chegou a ouvir no inquérito uma vidente que afirmava receber mensagens do falecido José Guilherme. E também foi acusada de torturar suspeitos inocentes para que confessassem o crime. A delegada terminou afastada do caso por falsidade ideológica.

Já com novo comando de investigação, a polícia chegou aos três verdadeiros criminosos: Leonardo Campos Alves, ex-porteiro do prédio, Paulo Cardoso Santana, sobrinho do ex-porteiro, e Francisco Mairlon, comparsa de Leonardo. E foram eles que denunciaram Adriana Vilella, 46 anos, filha das vítimas, como a mandante dos homicídios.

Segundo a apuração, Adriana foi motivada pela herança dos pais (avaliada em R$ 160 milhões em imóveis) e pela revolta de receber deles uma mesada de apenas R$ 8,5 mil. A acusada chegou a ser presa duas vezes, mas, devido a vários recursos, nunca foi julgada pelo Tribunal do Júri de Brasília. Para isso, contou com a ajuda de um dos principais advogados criminalistas do país: Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay.

Leonardo, Paulo e Mairlon, cujas penas somadas é de 177 anos de reclusão, estão presos na Penitenciária da Papuda. Já Adriana mora no Rio de Janeiro e espera seu julgamento em liberdade. A delegada Martha foi condenada, em primeira instância, a 16 anos de prisão por falsidade ideológica, fraude processual e tortura, além de ter sido exonerada da Polícia Civil. Mas ainda está em liberdade enquanto dura o processo.

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